VENDIDO A UM-QUE-NÃO-EXISTE: PRIVAÇÃO, PRESENÇA E CONFISSÃO NO GRANDE SERTÃO

  • Andrei Soares PNN

Resumo

Este trabalho explora o encontro entre artifício e ausência, um encontro definido pela impossibilidade de se representar, articular ou mesmo conceber aquilo (ou aquele) que inexiste. Mais especificamente, discute como - em Grande Sertão: Veredas (GSV)- João Guimarães Rosa logra sugerir a presença, no próprio cerne da experiência narrada, de uma privação radical e diabólica. Privação que, entretanto, jamais chega a representar na narrativa. Recorrendo a Agostinho, Pseudo-Dionísio e Boécio, sugere-se que essa ausência do diabo apropria, rearticula e, por fim, subverte – por hipérbole – um procedimento neoplatônico constitutivo da teologia Cristã: a tipificação do mal como mero privatio boni ou falta do bem.

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Publicado
Nov 26, 2010
Como citar
SOARES, Andrei. VENDIDO A UM-QUE-NÃO-EXISTE: PRIVAÇÃO, PRESENÇA E CONFISSÃO NO GRANDE SERTÃO. Linguagens - Revista de Letras, Artes e Comunicação, [S.l.], v. 4, n. 1, p. 27-43, nov. 2010. ISSN 1981-9943. Disponível em: <https://bu.furb.br/ojs/index.php/linguagens/article/view/2090>. Acesso em: 13 ago. 2022. doi: http://dx.doi.org/10.7867/1981-9943.2010v4n1p27-43.

Palavras-chave

Teodicéia. Teologia negativa. Ontologia. Privatio boni. Grande Sertão: Veredas.