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Oldemar Olsen Jr. é um contestador. Imprimir E-mail

OLDEMAR OLSEN JR. é um contestador :
muito além das palavras e do silêncio

Regiane Regis Momm
(Mestre em Literatura Brasileira (UFSC),
 Especialização em Estudos Literários (FURB).
)

  “Contestar é uma forma de viver. Pode-se contestar não aceitando as regras sociais; sendo contra; mas simplesmente dizendo ‘não’, ou de forma mais acintosa, sem fazer nada, apenas sobrevivendo entre as pessoas que estão bem”.1 É uma forma, no mínimo, muito particular ou simplesmente honesta de um escritor encarar a relação humana frente ao período vigente (anos 70). Pois assim se coloca Oldemar Olsen Jr. : poeta, prosador, autor de vários ensaios, e que, além de literato, ganha a vida escrevendo para o jornal A Notícia às sextas-feiras; é também redator-chefe do jornal de bairro Miguelito, na cidade de Florianópolis e ainda, recentemente convidado, aceitou trabalhar na Fundação Cultural Franklin Cascaes, também localizada na ilha de Santa Catarina - Florianópolis.

Ele veio ao mundo em 1955, mais especificamente no dia 6 de junho, em Chapecó, oeste de Santa Catarina.  O mais velho de três irmãos. Seus avós maternos, Fermino Rocha e Servita Rocha eram de Itajaí (SC), e sua mãe Nica Rocha nasceu em Jaraguá do Sul (SC), a penúltima de uma família de cinco irmãos. Pelo lado paterno, Eugênio Harold Olsen e Rosa Cabral tiveram três filhos, entre eles, seu pai, Oldemar Olsen, nascido em Blumenau. Oldemar Olsen formou-se em medicina veterinária pela Universidade Federal do Paraná, primeira turma em Curitiba, tornando-se depois funcionário concursado do Ministério da Agricultura em Santa Catarina. Sua mãe havia cursado o ginásio. Ambos se conheceram no primeiro dia de aula no Ginásio Barão de Antonina, em Mafra (SC), o ano era 1944, ela tinha 13 anos na época.

Olsen Jr. nasceu e cresceu praticamente dentro de uma biblioteca. Seus pais e alguns amigos eram leitores vorazes. Na década de 50 e 60, quando Olsen Jr. morava em Chapecó, não havia livrarias no estilo de hoje, mas sim, papelarias que, eventualmente, vendiam livros. Esses eram adquiridos, quase em sua maioria, de viajantes que visitavam as casas e ofereciam livros de todos os tipos e gêneros. Coleções com extensos volumes eram pagas religiosamente em prestações mensais. Sabiam, seus pais, que o conhecimento advindo dos livros era a verdadeira herança que poderiam deixar para os filhos, além do legado de ações e comportamentos que viviam e prestavam como exemplos a serem seguidos. 

Diante do incentivo e do exemplo dos pais, Olsen Jr. aprendeu a ler antes mesmo de ingressar no Colégio Bom Pastor, na cidade de Chapecó. Sua ida a escola, no início da década de 60, aproximou-o ainda mais dos livros. Porém, é somente aos nove anos, já no internato em São Carlos (SC), que Olsen Jr. dá início à escrita: foi uma pequena carta, na qual fazia um pedido para seus pais lhe mandarem dinheiro. Aos treze anos, deu início a um romance, o qual falava das experiências de um garoto rebelde, mas infelizmente essa “obra-prima” não teve desfecho favorável, devido à dificuldade do autor em lidar com a máquina de datilografar. Passa, então, a escrever em cadernos, assim como Hemingway , e a guardar as folhas em lugar seguro. O que costumava produzir “eram: poemas, frases, anotações de leitura, reflexões, enfim, o produto de quem estava começando a viver, a experimentar, a descobrir, sem a perda da inocência e da esperança.” “Hoje, mais de trinta anos se passaram, algumas dezenas de cadernos se acumulam em caixas”, e daquele garoto que tencionava mudar o mundo restou o desprezo pelos contemporâneos, tão bem evidenciado na sua primeira personagem de ficção, que criou aos treze anos e que num excesso de raiva jogou no lixo.2

Porém, nos anos 70, aquela idéia inicial de mudar o mundo ainda não o havia abandonado e os ideais que compunham sua primeira personagem se apresentam, agora, mais amadurecidos do que nunca em sua escrita. É então, na década de 70, que Olsen Jr. inicia uma nova fase em sua vida e também em sua obra. Foram anos conturbados aqueles, especialmente porque ainda se vivia “no Brasil o período mais duro da ditadura militar implantada em 1964.”3

Especialmente os anos do governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-74)4, quando a censura contra o livre pensar, a perseguição política, a tortura, o desaparecimento e o assassinato de opositores eram comuns. A repressão e o clima de terror impostos pelo Estado ditatorial em nome da “Segurança Nacional” haviam silenciado os movimentos sociais. Por isso, a música e a literatura tornaram-se então fatores determinantes na demarcação das posturas ideológicas, projetando-se como pretextos para protestos. A música nacional, por exemplo, anuncia o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda , grande referência aos que procuravam repertório para protestar contra o regime militar, retratando implicitamente o clima da época, através dos seus versos proibidos, na canção “Apesar de Você”:

“ Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.”
5

Pode-se, assim, afirmar que  “a ditadura foi progressivamente alvejada no campo das idéias, acusada de praticar o que o escritor Alceu Amoroso Lima denominou de ‘terrorismo cultural’”6; em jornais, revistas, livros, rádio, teatro, músicas, filmes e TV, esse “terrorismo cultural” se faz presente, na superfiltração das imagens e sons que enganava os brasileiros com mensagens de paz e tranqüilidade social. “Havia ainda uma longa lista de palavras e assuntos proibidos.” A censura corria solta, não poupando sequer os grandes jornais. O jornal O Estado de São Paulo, por exemplo,  publicava trechos poéticos de Os Lusíadas , de Camões, para assinalar os espaços vazios das matérias censuradas; o Jornal da Tarde preenchia esses espaços com receitas culinárias; a revista Veja utilizava logotipos.7

Se  até com a grande imprensa, “(...) conhecidamente conservadora - a censura foi ostensiva, foi sobretudo implacável com a chamada imprensa alternativa, objeto de permanente perseguição política.”8 O Pasquim e Opinião, dois jornais alternativos, cada um a sua maneira, cultivavam uma postura agressiva ao sistema vigente, desse modo tiveram “várias edições retiradas das bancas e constantes prisões de seus editores, jornalistas e colaboradores.”9

A efervescência e a contestação estudantis estão também costuradas à vida e à obra de Olsen Jr., inseridas na produção e divulgação cultural blumenauense de setenta, ocupando um lugar decisivo na história da imprensa alternativa estudantil dessa cidade. Assim em 1974, em seu segundo ano da faculdade de Engenharia Civil, na Universidade Regional de Blumenau, ele participa efetivamente do surgimento de dois jornais, que traziam em suas páginas, idéias e opiniões e defendiam os ideais proscritos da liberdade de expressão e do livre-pensar. Através de poesias, contos e crônicas, construídos pelos estudantes, num “período de estreitamento de laços entre a crítica universitária e os suplementos, entre a literatura de invenção e a imprensa”10, provocaram um afloramento inegável de todas as emoções, em decorrência da insatisfação, dos sentimentos contidos, do medo e da raiva em relação ao período em que viviam, regidos pela égide da ditadura, fora e dentro dos seus  textos. Nessa ocasião da pura e simples oportunidade, surgiu a indignação e se caracterizou a condição de contestador, do escritor/sujeito desse trabalho, Olsen Jr.

Os dois jornais alternativos, que se tornam veículos de contestação da literatura estudantil, nauniversitario Universidade Regional de Blumenau (FURB), dos quais Olsen Jr. participou foram: Universitário11, criado em 1974, sendo que a primeira edição do jornal aconteceu em maio daquele ano, pelo estudante de Letras Acary Amorim, e permaneceu até o momento em que Acary foi aconselhado a deixar a FURB e a exilar-se da cidade, por pressões políticas de representantes do regime militar. Por isso, a última edição deu-se em junho de 1975; mas muitas edições (total de 12 edições), durante a permanência do jornal, perderam-se ou, quem sabe, foram censuradas. Ainda na vigência  do jornal, houve premiação pela indústria “Parker Pen do Brasil” como sendo um dos melhores informativos universitários do país. Esse jornal, onde somente o homem era sujeito da escrita, já não atendia às expectativas (por ser ainda estudantil, partidário); o que se queria era um jornal totalmente cultural. Desse modo, o estudante de Engenharia Civil Olsen Jr., juntamente com quatro integrantes, seus colegas universitários, Fred Richter (aluno de engenharia química), Maria Odete Onório (ciências biológicas)12, o Vika (química), o José Luiz (agenciava a publicidade)  fundaram O Acadêmico13, no dia 6 de junho de 1975, prolongando-se até 1982. Segundo Olsen Jr.:

“O jornal O ‘Acadêmico’ foi criado em junho de 1975 e era uma dissidência do ‘Universitário’ (fundado em 1974). Pretendíamos fazer um jornal essencialmente cultural em oposição ao outro que era político-estudantil e posteriormente político-partidário. Aquela ambigüidade ideológica não nos satisfazia como criadores. Vivíamos sob forte ditadura. [...] os empresários não investiam para não criarem um vínculo com aqueles que estavam fazendo a crítica ao status quo.”14

Assim é (quase) impossível desconsiderar as relações de vida de Olsen Jr., que surgem, naturalmente,academico de qualquer estudo de produção cultural, pois seja ela qual for, tem chão no contexto histórico15, onde sua vida e obra se interpenetram e se entrelaçam na leitura de uma só narrativa.

A utilização de exemplos-chave, contrários à ordem biográfica, em busca de um território indefinido, e que escapa ao leitor em nome de uma “coerência interna” de sistemas fechados de universos, especificamente biográficos e/ou literários16, detecta, além da história como pano de fundo, até os momentos experienciados por Olsen Jr., ainda não evidenciados biograficamente, às vezes, por mero esquecimento, ou por imposição da censura.

Vale destacar exemplos que mostram Olsen Jr. como um escritor-contestador, pois para ele o jornal O Acadêmico é o ápice de sua irreverência.17 Os gêneros literários ali (res)surgiam numa linguagem que deixa ver um leque de possibilidades de leitura. E foi assim, diante dessas possibilidades, que palavras não proferidas, como respostas à lei do silêncio, tornaram-se ainda mais incômodas. No jornal O Acadêmico aparece uma coluna toda em branco, cujo título era: “A participação do Universitário na política”18 sem texto nenhum, e assinada embaixo (no rodapé) por O.O.J. (Oldemar Olsen Júnior). Segue a sua abordagem sobre o assunto:

“Fiquei tão indignado, porque só tínhamos dois partidos então; ou se estava a favor do regime ou contra. Diante do quadro que vivíamos não restava muita escolha. Bem, perdemos, fiz então uma coluna no jornal ‘O Acadêmico’ toda em branco, dei o título (...) e assinei. Falei do universitário, porque se tivéssemos nos unido, só este contingente poderia decidir a eleição.”19

No trecho acima Olsen Jr. denuncia o sentimento de conformismo que esse(a) universitário(a) sustentava em relação ao status quo. E assume, com denodo, toda a carga de insatisfação ao contingente estudantil e à norma vigente. Essa, por sua vez, o intimida e procura sufocá-lo, quando o chama para esclarecimentos, “no mesmo dia em que o jornal saiu”.20 É então, nesse momento, que vida e obra se tocam, tornam-se representações de ideologias de esquerda, nas palavras de Olsen Jr.:

“(...) fui chamado no 23º Batalhão de Infantaria para prestar esclarecimentos. A pergunta que se impunha era a seguinte: o que é que você quis dizer com o que você não disse? Fiquei lá das 10 horas da manhã até às 14 horas. Parece ironia, mas na época não foi. Tempos depois o Millôr Fernandes fez a mesma coisa na revista Veja (estava lá ainda) e posteriormente o Henfil fez isto na Isto É, todos foram considerados ‘geniais’ pela idéia, a chamada eloqüência do espaço em branco. Quanto a mim não chamaram de ‘genial’, mas sim de ‘contestador’ e até de ‘anarquista’.”21

Outro exemplo biográfico dá-se em torno de um novo Olsen Jr.. Um existencialista que queria voar mais longe, ir mais fundo na natureza humana, e isso, somente a literatura poderia lhe dar, seja no conto, no romance ou no ensaio. E como todo pensador que se percebe em crise, ele promoveu um profundo mergulho de auto(re)descoberta, do qual  emergiu mais amadurecido. As propostas do jornal esgotaram-se e o jornal O Acadêmico cerrou suas portas após 62 números impressos. Segundo Olsen Jr., o jornal já não atendia às novas exigências que ele (oito anos mais velho) tinha.22

Certamente, a continuação de um trabalho/de uma vocação começou com o jornal O Acadêmico; foi uma intuição latente, relata Olsen Jr., que o levou a desistir do curso de Engenharia Civil, direcionando-o à faculdade de Direito e, ao mesmo tempo, ao cenário jornalístico. Assim, diz Olsen Jr.: “O Acadêmico serviu até para despertar provocações, porque acabei abandonando o meu curso”.23 O trabalho que se fazia de maneira gratuita (sem remuneração) era idealismo puro e simples. Ele ainda ressalta que, se você não realizasse essa atividade na Universidade, existiria menor possibilidade de fazer fora dela.24 O grande passo de Olsen Jr. depois de encerrar O Acadêmico foi continuar atuando no Jornalismo. Agora a militância política fica de lado (mas não totalmente), ganha novas formas e contornos; é então, a partir desse momento, que ele começa a ampliar a composição de suas obras.

Em fins da década de 70 (em 1979), tem-se como pano de fundo o enfraquecimento da ditaduraoutros catarinense militar brasileira com a assinatura da anistia, “que foi lançada ao palco para suavizar as dores do parto de uma nova correlação de forças”25, é quando Olsen Jr. funda a Editora Acadêmica, junto com seu colega Márcio Cani, e chega a publicar alguns títulos. Destaque para a antologia Outros Catarinenses Escrevem Assim 26, escrita em resposta ao livro Assim Escrevem os Catarinenses , organizado pelo escritor Emanuel Mendes Vieira27, em que se omitiam praticamente todos os novos escritores do Estado. Olsen Jr. se revela, nesse projeto, um escritor-contestador, ao organizar um novo livro, uma nova antologia, em forma de cooperativa, em forma também de protesto, de contestação aos que ficaram de fora do livro de Emanuel Mendes Vieira.  Ele, como organizador, procurou criar uma das mais significativas antologias de poetas já lançadas no estado de Santa Catarina, não só pelo número de poetas reunidos nessa obra, como também pela qualidade dos textos apresentados. São 360 páginas, onde cada autor apresenta, além de uma fotografia e dados biográficos, cinco poemas e um depoimento sobre o “Ofício de Escrever”.28

A partir dos anos 80, com relação à música o Woodstock saiu de cena e novos ídolos tiveram que ser procurados. Na literatura “a modernização promovida sob o Regime Militar inspirou os ficcionistas a usarem novos protagonistas (...)”, fazendo surgir histórias de executivos, bóias-frias e operariado urbano. Personagens verossímeis aos papéis desempenhados no cenário cotidiano.29 É nesse momento, de rápida transformação da sociedade, que Olsen Jr. se julga pronto para enfrentar o destino que havia escolhido, o de ser escritor.

Roland Barthes lembra em seu ensaio “Escritores e Escreventes” que: “o escritor é aquele que trabalha a sua palavra (mesmo se é inspirado) e se absorve funcionalmente nesse trabalho”. Vive como um legítimo pensador, pois abre as portas da percepção, desvenda segredos, sempre a questionar o desconhecido, em busca de si mesmo. “É um homem que absorve radicalmente o porquê do mundo num como escrever.” Tais interrogações desse escritor-homem giram em torno do “Por que o mundo? Qual o sentido das coisas?”30 E é dessa forma com perguntas e não com respostas que a literatura se presentifica diante do olhar curioso e contestatório de Olsen Jr., permitindo-lhe a sua realização e, de certa maneira, a sua essencialização na palavra, na escrita.31 Daí decorre, então, o fato do escritor descobrir em qual gênero literário o material de que dispõe pode se comunicar melhor, segue nos dizeres de Olsen Jr.:

“Eu tenho, com exceção do teatro, trabalhado com todos os gêneros literários. Eu acho que – eu acho não, tem pessoas que acham e pessoas que pensam, eu sou das pessoas que pensam – têm situações que você resolve melhor num poema, têm outras que precisam de uma crônica, então aí o autor tem que ver onde ele pode tirar o máximo dele mesmo. Eu, modestamente, tenho me saído bem imagino.”32

Apesar de trabalhar com (quase) todos os gêneros literários, menos com o teatro, Olsen Jr. revela que a predominância de sua escrita se enquadra na prosa. O autor tem cinco livros publicados, dois de contos: Os esquecidos do Brasil , livro de estréia em 1993, Desterro, SC, de 1998; um romance: Estranhos no Paraíso , em 2000; um livro de crônicas: Confissões de um Cínico, em 2002 e ainda uma novela: O Burguês Engajado, de 2003.

O livro Os Esquecidos do Brasil 33, de Olsen Jr., publicado pela editora Paralelo 27, de Florianópolis,esquecidos do brasil com tiragem de 1.150 exemplares, datado de 1993, é fruto de seu envolvimento precoce com a literatura. Sua necessidade e vontade de se manifestar o levam a escrever esse livro; no “projeto inicial estava a idéia de realizar uma obra de contos, com histórias cujo leitmotiv fosse a realidade brasileira”.34 São seis histórias, “entre a mais antiga e a mais recente”35, que refletem o que o autor pretende da realidade e não o que vê dessa realidade, como a valorização das pequenas coisas presentes no conto “Falta Alguém nas Arquibancadas”36, uma narrativa que envolve o mundo do futebol e o sonho de um adolescente de participar desse mundo, mesmo que, inicialmente, ele, por alguns instantes, é tomado da súbita alegria de sair das arquibancadas em direção à concretização de um sonho, o de fazer parte do time de futebol; ou a vigência com os grandes problemas em “O Último dos Guaranis37, história que mostra a pequenez do homem-branco em relação ao  índio, o protagonista da narrativa, deixando-o exilado em sua própria terra, tornado-o um sobrevivente de lugar nenhum.

Todos os contos foram baseados em fatos, produto ou não, da observação cotidiana, ou então, da leitura ao acaso de uma coluna de jornal.38 No conto “No Banco dos Réus”39 são pontuados os dramas cotidianos, julga-se ali a sobrevivência humana, onde o único crime que o homem comete é o de tentar (sobre)viver, deixando como legado a marca do seu tempo, pondo à mostra esse homem, que é  julgado pelo simples fato de ser homem e por suas  fragilidades; em “O Anonimato dos Vencidos”, sua história  revela que a ingenuidade e a ilusão embotam a percepção do homem simples, que deixa atrás de si os únicos  motivos de alegria que possuía e parte para conquistar algo que só faz sentido em um mundo perfeito, a dignidade e a fortuna que apenas os justos alcançam; já no conto “Marcas da Solidão”40, o que se percebe é a representatividade da velhice diante do corrosivo desabafo de um homem velho e solitário, quando, ao olhar o céu, que deveria ser azul, enxerga  apenas o cinza da desesperança, pincelado por rubras nuvens de descrença, sendo ele desacreditado pela existência como uma resistência às degradações de um determinado tempo; finalmente, o último conto  “O Pobre Miguel Niels Maiakovski”41 que revela a luta do homem, não pelas causas favoráveis, mais do que idealismo, aquilo torna-se uma obsessão. Estar ao lado dos mais necessitados é o que tenciona Miguel – personagem principal da trama; ele faz com que os pálidos reflexos de uma superfície fosca se transformem em um sorriso de alegria aos menos favorecidos. Assim em Os Esquecidos do Brasil , Olsen Jr. revela-se do primeiro ao último conto um homem angustiado e ao mesmo tempo solidário frente às injustiças. Essa veia denunciadora presentifica-se também no livro Desterro-SC.

Neste Desterro-SC42, publicado em 1998, Olsen Jr. volta a exercitar a crítica, nos contos “Diante do Ritual Pagão”43 e “Nosso Homem no Poder”.44 Enquanto no primeiro ele ressalta a luta insana do boi em burlar o seu destino (na tradicional “farra do boi”), o segundo conta uma sátira envolvendo o mundo político-corrupto. Em todos os seus seis contos percebe-se um autor, através de um narrador, que protesta e “afronta o status quo, o conservadorismo”.45 A narrativa “Os Vivos e os Mortos”46 é um comovente relato memorialístico sobre um homem que se sente angustiado com a perda de seus entes queridos.

Já no conto “A Confissão”, Olsen Jr. através do narrador-personagem rememora uma das suas experiências há tempos vivida. Experiência essa que descreve um exacerbado sentimento de indignação e decepção em relação à humanidade, principalmente, daqueles a quem se admira, a quem se julga ser um ideal, mas que não passa, no fundo, de um embuste; no conto “20 Anos Depois”47, o narrador dá voz a Valéria, a protagonista da história, que procura relatar um tempo que ficou para trás, onde tudo que ela tenta descrever ou relembrar não trará no significado das palavras a totalidade de quem foi. Sonhadora, apaixonada e intensa, como só o pode ser quem desperta para a vida de tantas cores e percebe nos detalhes a riqueza dos momentos, em que sorrisos eram paixões, e olhares intensos muitos amores, num tempo que não retorna jamais. O que lhe resta agora é apenas o vazio da existência e uma doença incurável que a faz sentir-se infeliz e solitária; e finalmente, o último conto “Os Primeiros e Últimos Passos de um Sonhador”48, mostra relatos de um sonhador que se chama Miguel Niels Maiakovski; acredita-se que ele foi longe e, ao sentir que sua missão como escritor está cumprida, prefere sair de cena sem olhar para trás, sem esperar aplausos ou agradecimentos. Sendo assim, através desse sumário resumo dos contos de Olsen Jr. percebe-se uma escrita simples, mas ao mesmo tempo contestatória. Características essas também presentes em seu romance Estranhos no Paraíso .

Olsen Jr., em Estranhos no Paraíso 49, tem a preocupação de tornar tudo o mais próximo possível daestranhos no paraiso verdade; assim, ele afirma que: “ao contar uma história, ao re(criar) o real, enfim, me preocupam inicialmente, duas coisas: 1) o que  vou dizer tem que ser verossímil; 2) o relato tem que se mostrar ao leitor de maneira convincente, com a semelhança da verdade”50 Por isso, o ambiente da narrativa permeia boa parte das interpretações, questionamentos sobre o Brasil, mais especificamente, sobre a fisionomia, o modo de ser, os dilemas e perspectivas de  uma família brasileira, com o intuito de representar a  sociedade, ou por que não dizer, o povo brasileiro.51 O romance, em seu  conteúdo e estrutura, é fruto do que foi o Brasil em 1969, e ainda continua sendo nos dias atuais. Mudaram apenas algumas situações, algumas práticas, mas ainda persistem: o empreguismo e a malversação das coisas públicas.52 Isto deixa claro que aqui, no que concerne aos relatos históricos, encontra-se um romance, acima de tudo, de constatação, pois grande parte desses acontecimentos e/ou questões filosóficas não são discutidos dentro do livro, apenas aparecem costurados às histórias das personagens. Assim ao (re)ler seu único romance publicado, meu olhar voltou-se para o texto, que apesar do autor, num adendo, buscar revelar ele próprio a composição do livro, suas influências e a superação em relação a elas, procuro mostrá-las através de um olhar crítico e analítico. A começar pelo posfácio, por exemplo, no qual Olsen Jr. revela de maneira unilateral a abordagem de seu projeto, e da execução técnica, do livro Estranhos no Paraíso . Mas de onde surgiu a idéia para a construção da obra, ele não falou. Talvez por acreditar que o leitor não se interessaria, quem sabe? Somente ele (o autor) poderia responder tal pergunta, e assim ele o fez:

Pretendia escrever um romance ambientado em 1969 (o ano em que deixei a minha cidade natal definitivamente), e, claro, tal obra serviria para exorcizar certos aspectos da minha infância etc. O início da obra era sempre adiado, até o dia em que soube do concurso da Fundação Catarinense de Cultura, prêmio Virgílio Várzea para romance (o ano era 1989). Bem, pensei, está aí a oportunidade para executar a tarefa. O único problema, faltavam dois meses para encerrar a inscrição.”53

Em Confissões de um Cínico54, o livro de crônicas, escrito por Olsen Jr. traz em sua capa imagens, fotos 3x4 do escritor datadas de 1955 (quando era bebê) até o ano de 2000 (já adulto). O que significa que os textos aqui escritos são registros relacionados às vivências dos anos setenta, e se estendem até os anos noventa. Foram esses textos compartilhados com o leitor apenas na década de noventa, quando Olsen Jr. publicou-os no Suplemento Cultural “Anexo”, do jornal A Notícia, de Joinville (SC), onde circulou de novembro de 1997 a novembro de 1998. As crônicas escritas por Olsen Jr. giram em torno de fatos ou idéias, ele chega a revitalizar esse gênero, pois como ele mesmo afirma:

“(...) ao incorporar elementos da ficção (o diálogo, o monólogo interior, discurso livre indireto; alguma coisa da linguagem cinematográfica, o flash-back, e também da psicanálise, a catarse por exemplo) (...) acabou assim revitalizando o gênero, dito isso para mostrar que não se trata de um amador fazendo a sua estréia  na área. Depois, lembrei agora, fui premiado em todos os concursos de crônicas em que participei na vida, normalmente com o primeiro lugar.”55

Sejam suas crônicas de teor artístico, político, esportivo, ou que simplesmente procuram descrever sobre a vida cotidiana. Seu tom ligeiro e descomprometido nos textos desnuda a realidade. Acaba sendo então a realidade que o leitor queria e, ao mesmo tempo, seu elemento transformador. No entanto Olsen Jr. não tem a função de agente histórico nesse trabalho, ele apenas busca despertar a humanidade (incluindo-se) adormecida para as misérias que a rodeia.

No que concerne à novela O Burguês Engajado, Olsen Jr. evidencia um cenário de época (anos 70) em que o papel de cada um é mediado pelo assombro policial do Estado. Ele mostra, ali, o retrato falado de uma “idade de chumbo” não de toda cicatrizada, pois os ecos do passado são ouvidos ainda no século XXI, através da publicação deste livro, mais especificamente a partir do ano de 2003. Como diz o próprio autor em entrevista concedida à Antologia: um dedo de prosa: “(...) O burguês engajado, é uma metáfora, também desse período da ditadura, que você tem de exorcizar.”56

O Burguês Engajado conta a história de Wladimir, mais conhecido como Wladi. Ele como um burguês que é, engaja-se, ou seja, compromete-se com os movimentos em defesa da liberdade individual. Ainda que sua liberdade devido a essa postura dure pouco, pois ele é preso e exilado, permanecendo por toda trama num agônico ambiente onde, para não ser acometido pela loucura, seu único meio de defesa e forma de encontrar refúgio acaba sendo rememorar os momentos de sua vida enquanto liberto. Suas idéias recorrentes passam a ser sobre a indignação em relação às formas com a qual a injustiça é perpetrada, e sua incompreensão reside no fato de não fazer ao menos para ele, nenhum sentido, o pouco caso com o qual são tratados os mandos e desmandos deste governo autoritário.

Pode-se, então, afirmar que na ficção, como um eterno aprendiz, Olsen Jr. procura dar continuidade a um trabalho, cujos modelos tiveram em Camus e Sartre seus maiores artífices. Incluindo a filosofia, o monólogo interior e, principalmente, os conflitos morais que se apresentam juntamente como aqueles originados no nível da convivência e da sobrevivência para o homem. Ele busca ainda manter sempre uma estrutura de linearidade em suas obras: o começo, meio e fim, especialmente no objeto desse trabalho, Estranhos no Paraíso . Romance esse que traz em suas páginas um enorme rol de textos implicados com os tempos da ditadura militar que assolou o país entre 60 e 80 no século passado. São registros que ali se encontram de um tempo que magoou uma geração que acreditava em um projeto social libertador e solidário. No entanto, Olsen Jr. se limita aos registros apenas como reflexos das histórias. Mais ainda, apesar de se tratar de uma obra de poucas discussões e de muitas constatações, sua escrita se apresenta de forma reflexiva no que concernem às histórias de suas personagens, trazendo à tona a constante solidão.

NOTAS DE FIM

1 RELEITURAS. Blumenau, março 1994, p. 6. (material encontrado no acervo da Biblioteca Martinho Cardoso da Veiga – FURB, Blumenau).
2 VASQUES, Marcos. Diálogos com a literatura brasileira . Florianópolis: Ed. da UFSC; Porto Alegre: Ed. Movimento, 2004. 3v. pp. 133-134.
3 HABERT, Nadine. A década de 70: apogeu e crise da ditadura militar brasileira . São Paulo: Ática, 1992, p. 7.
4 O general Emílio Garrastazu Médici (...) nasceu em Bagé (RS) no dia 4 de dezembro de 1905, filho de Emílio Médici e de Júlia Garrastazu Médici.” Seu apelido era milito, (...) fez o curso primário no colégio do professor Charles Dupont, em sua cidade natal. Influenciado pela mãe, ingressou em 1918 no Colégio Militar de Porto Alegre, onde permaneceu a até 1922”. A partir dessa data, dá início a sua carreira militar, sendo que (...) em julho de 1927 foi promovido ao cargo de segundo tenente e, em julho de 1929 a primeiro tenente.” Daí em diante ocupou vários cargos militares e também políticos. Finalmente em 1969, eleito indiretamente, torna-se o presidente da República, onde o fim do seu mandato se deu em 1974. Seu governo transformou-se num dos períodos mais   esquizofrênicos da nação, época em que a retórica estava em alta, era “Brasil, ame-o ou deixe-o”, época do auto conhecimento sugerido/induzido pela manipulação econômica do “milagre brasileiro”, da conclusão deduzida “este é um País que vai para frente” e das tentativas de se associar todas as iniciativas governamentais com a campanha bem sucedida da seleção brasileira de futebol  ganhando o tri-campeonato no México. Tais informações aparecem no Dicionário histórico-biográfico brasileiro pós-1930, coordenação de Alzira Alves de Abreu [et al.]. 2. ed. rev. e atual. - Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001, vol. 5, pp. 2159-2160.
5 HABERT, Nadine. A década de 70: apogeu e crise da ditadura militar brasileira . São Paulo: Ática, 1992, p.7.
6 GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada . São Paulo: Cia. das Letras, 2002, p. 220.
7 HABERT, Nadine. A década de 70: apogeu e crise da ditadura militar brasileira , p. 29.
8 Idem, p. 29.
9 Ibidem, pp. 29-30.
10 Houve, portanto, no início dos anos 70, (...) uma aproximação entre a literatura, a universidade e a imprensa, onde os estudantes-universitários mesmo diante do desvanecimento do sentido democrático liberal, encontram meios literários para expressar seus sentimentos, aspirações e necessidades (...) LÊVEN, Ângela Maria, MARTINS, José Endoença e REGIS, Regiane. “Um poema, ou variações sobre o homem”: a produção poética no jornal O Acadêmico, na década de 70. Blumenau: FURB, 2000, p. 9. Eles queriam um espaço cultural reivindicatório que era, muitas vezes, negado na grande imprensa. Portanto, para essa contestação estudantil que  permeia as décadas de 60 e 70, a escritora Flora Süssekind nomeia de  “anos universitários”. E isso, para os estudos literários, aparece diz Süssekind, [...] num duplo sentido: de um lado, pela redução do espaço jornalístico para os críticos-scholars e pela dificuldade de circulação, mesmo via livro, de grande parte da produção acadêmica; de outro, por uma espécie de autoconfinamento (às vezes com bons resultados intelectuais, outras não) (...). Assiste-se então a uma difusão de [...] suplementos de jornal, veículos mistos, entre o colunismo e a revista literária, os quais em alguns momentos, cumpriram importante papel na disseminação cultural do país”. E que abarcam no contexto literário uma “literatura de invenção” sujeita à críticas freqüentes em relação à linguagem. SÜSSEKIND, Flora. “Sobre a Crítica”. In Papéis Colados -  Ensaios. RJ: Editora da UFRJ, 1993, pp. 27-28.
11 No jornal Universitário o contingente masculino se sobressai mediante poemas, contos e crônicas. Tal confirmação é abordada com maiores detalhes em LÊVEN, Ângela Maria, MARTINS, José Endoença e REGIS, Regiane. Masculinidade e literatura: o conhecimento literário produzido pelos estudantes, na década de 70. Blumenau: FURB, 2002.
12 No final de janeiro de 1975, durante o I Encontro de Escritores Catarinenses, na Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, Olsen Jr. foi apresentado a Maria Odete Onório. Logo depois, casaram-se e ficaram juntos por 18 anos, tiveram dois filhos, o Charlie Anderson e a Michelle Christie.
13 Na década de 70 “adere-se a poesia como sendo a única forma de protesto (...) assim momentos de produção literária tornam-se conhecidos através do jornal O Acadêmico, criado em 75 (...) onde (...) a análise de gênero ultrapassa a classificação de homem e mulher, é muito mais do que feminino e masculino, é o contexto em que eles vivem”. LEVEN, Ângela Maria, MARTINS, José Endoença e REGIS, Regiane. “Um Poema, ou Variações Sobre o Homem”: A Produção Poética no Jornal O Acadêmico, na Década de 70”. Anais do VII Seminário Integrado de Iniciação Científica. Blumenau: FURB, 2001. (livro).
14 RELEITURAS. Blumenau, março 1994, p. 6. (material encontrado no acervo da Biblioteca Martinho Cardoso da Veiga – FURB, Blumenau).
15 GOTLIB, Nádia Batella. “Na contramão da história biográfica.” In Histórias da literatura: teorias, temas e autores / org. Maria Eunice. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2003, p. 89.
16 GOTLIB, Nádia Batella. “Na contramão da história biográfica.” In Histórias da literatura: teorias, temas e autores / org. Maria Eunice. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2003, p. 90.
17 RELEITURAS. Blumenau, março 1994, p. 6.
18 Esse material encontra-se na Biblioteca Martinho Cardoso da Veiga (seção de arquivos de memória) e é parte integrante do jornal O Acadêmico nº. 16, Blumenau – SC, FURB, nov. 1970.
19 RELEITURAS. Blumenau, março 1994, p. 7.
20 Idem, p. 7.
21 Ibidem, p. 7.
22 Ibidem, p. 7.
23 RELEITURAS. Blumenau, março 1994, pp. 7-8.
24 Idem, p. 8.
25 SODRÉ, Nelson Werneck. Vida e morte da ditadura: vinte anos de autoritarismo no Brasil . Rio de Janeiro: Vozes, 2ª. ed, 1999, p. 122.
26 Nesse mesmo ano Olsen Jr. participou ativamente de mais duas antologias, destaque para A Literatura de Santa Catarina, Contistas e Cronistas Catarinenses , além de cf. OLSEN, Oldemar Jr. (Org.) Outros Catarinenses Escrevem Assim . Blumenau: Acadêmica, 1979. Ele não pára por aí, em 1980 participa de 21 Dedos de Prosa com o conto “A Herança Maldita de Jean Paul-Sartre”. É uma narrativa em que, através de seu personagem, Olsen Jr. questiona algumas idéias do seu tempo. Além disso, participa de Contistas de Blumenau II , em 1981 e Poetas de Blumenau , 1982. Suas participações em diversas antologias podem ser vistas no posfácio do livro OLSEN, Oldemar Jr.. Desterro, SC: final do século XX. Florianópolis: Paralelo 27: Insular, 1998, p. 198.
27 Um breve histórico desse autor até os anos setenta, período de publicação da obra Assim escrevem os Catarinenses retirado do livro de Celestino Sachet, A Literatura de Santa Catarina . SACHET, Celestino. A literatura de Santa Catarina. Florianópolis, Lunardelli, 1979, p. 164. Emanuel Medeiros Vieira nasceu em Florianópolis, no ano de 1945, passou por Porto Alegre (curso de Direito) e São Paulo como professor e jornalista. A partir de 1972 voltou a viver em Florianópolis. Crítico cinematográfico escreveu contos e desenvolveu atividade intelectual em diversos jornais e revistas do País. Em 1968 foi colaborador do Caderno de Sábado do “Correio do Povo” onde editou, igualmente, nos anos de 1976 e 1977, a página semanal “Um Escritor de Santa Catarina”. VIEIRA, Emanuel Medeiros (Org.). Assim escrevem os catarinenses . São Paulo: Alfa-Omega, 1979.
28 Tais informações sobre os autores-incluídos, além de datas e locais de lançamentos da obra podem ser vistos no jornal O Acadêmico. Blumenau nº. 50, nov. 1979, pp.7-8.
29 LUCAS, Fábio. Novas personagens. In Retrato do Brasil. São Paulo: Política, 1984, p. 504.
30 BARTHES, Roland.  “Escritores e Escreventes”. In Crítica e verdade. São Paulo: Perspectiva, 1970, p. 33.
31 BARTHES, Roland.  “Escritores e Escreventes”. In Crítica e verdade, p. 35.
32 LEMOS David e RISTOFF, Dilvo I. Um dedo de prosa: primeira antologia, p. 250.
33 OLSEN, Oldemar Jr.. Os esquecidos do Brasil : contos premiados. Florianópolis: Paralelo 27, 1993, 167p.
34 VASQUES, Marcos. Diálogos com a literatura. Florianópolis: Ed. da UFSC; Porto Alegre: Ed. Movimento, 2004.  3 v. p. 139.
35 VASQUES, Marcos. Diálogos com a literatura , p. 140.
36 Ele tirou o 1º. lugar no IV Concurso de Contos da UFSC, “Categoria Geral”, com o conto “Falta Alguém nas Arquibancadas”, em 1983. Esse conto também foi publicado na “Revista Discente”, da UFSC, ano V, nº. 9, Florianópolis, dezembro de 1983.
37 Esse conto recebeu o 1º. lugar no IV Concurso de Contos da UFSC, “Categoria  Geral”, 1993. Foi publicado na “Revista Discente” da UFSC, ano V, nº. 9, Florianópolis, dezembro de 1983. Conseguiu o “Prêmio Ignácio de Loyola Brandão” no IV Concurso Nacional de Contos de Araraquara, 1986. Foi publicado na antologia “Contos Premiados”, vol. III, editada pela Biblioteca Pública Municipal “Mário de Andrade”, Araraquara, agosto de 1986.
38 VASQUES, Marcos. Diálogos com a literatura, p. 140.
39 Com o título original de “O Processo da Sobrevivência”, foi o 1º. lugar no IV Concurso de Contos da UFSC, “Categoria Geral”, 1983. Foi publicado na “Revista Discente” da UFSC, ano V, nº. 9, Florianópolis, dezembro de 1983.
40 O conto “Marcas da Solidão” teve o 1º. lugar no concurso “Lutas da Maioria”, promovido pelo jornal “Lutas da Maioria” fevereiro de 1985. Publicado no jornal “Lutas da Maioria”, nº. 13, jan./fev. de 1985. Premiado também no 1º. Concurso Literário “Contos & Poesia”, promovido pelo Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis, novembro de 1992.
41 Com o conto “O Pobre Miguel Niels Maiakovski”, Olsen Jr. conquistou o  2º. lugar no VI Concurso Nacional de Contos para Universitários, promovido pela FURB, em 1986. Teve sua publicação na antologia Os Contos Premiados da FURB, vol. III, julho de 1986, em co-edição com a Ed. da UFSC.
42 A obra Desterro, SC - do escritor catarinense Olsen Jr. – foi publicada (1ª. edição) em dezembro de 1998, em co-edição entre a Editora Insular, Paralelo 27  e Propague. Finalíssima do “Prêmio Jabuti, 2000”. OLSEN, Oldemar Jr. Desterro-SC: final do século XX. Florianópolis: Paralelo 27: Insular, 1998.
43 O texto narrativo “Diante do Ritual Pagão” alcançou o 1º. lugar, Categoria Geral, no I Concurso Catarinense de Literatura Pesqueira de Santa Catarina,  realizado pelo Acarpesc, Florianópolis, junho de 1985. Foi também publicado na antologia A Literatura Pesqueira de Santa Catarina, co-edição entre Acarpesc e Editora da UFSC, Florianópolis, junho de 1985.
44 Menção Honrosa, Categoria Geral, no II Concurso Catarinense de Literatura Pesqueira de Santa Catarina, patrocinado pela Acarpesc, em Florianópolis, junho de 1986.
45 VASQUES, Marcos. Diálogos com a literatura . Florianópolis: Ed. da UFSC; Porto Alegre: Ed. Movimento, 2004.  3v, p. 141.
46 Foi 1º. lugar, Categoria Geral, no III concurso Catarinense de Literatura Pesqueira de Santa Catarina, promovido pela Acarpesc, em junho de 1987, em Florianópolis. Publicado também na antologia O Pescador em Prosa e Verso, volume III, Acarpesc, Florianópolis, 1989.
47 Publicado na antologia Este Amor Catarina, organizado por Salim Miguel, Silveira de Souza e Flávio José Cardoso. Editora da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1996. Além disso, tirou o 1º. lugar no I Concurso Literário  Cidade de Criciúma, promovido pela Fundação Cultural de Criciúma, na cidade de Criciúma, em 1994.
48 O último conto do livro Desterro-SC – final do século XX teve sua publicação na antologia Contos de Natal, organizada por Hamilton Alves. Editora Bernúncia, no ano de 1997, em Florianópolis.
49 O romance de Olsen Jr. participou da etapa final do Prêmio Virgílio Várzea. Pode se comprovar tal notificação na obra LEMOS, David; Ristoff, Dilvo I. Um dedo de prosa: primeira antologia. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2004, p. 264. OLSEN, Oldemar Jr. Estranhos no paraíso. Florianópolis: UFSC, 2000.
50 VASQUES, Marcos. Diálogos com a literatura . Florianópolis: Ed. da UFSC; Porto Alegre: Ed. Movimento, 2004.  3v. p. 148.
51 IANNI, Octávio. Tipos e mitos do pensamento brasileiro . In Histórias da literatura: teorias, temas e autores / org. Maria Eunice. Florianópolis: Mercado Aberto, 2003, pp.250-251.
52 Olsen Jr. cria a sua própria realidade, acredita na sua escrita e expressa suas idéias como as têm, pois sabe que depende da maneira como seu expectador, leitor ou ouvinte o interpreta. Assim a palavra malversão em relação às coisas públicas, advinda do latim significa male versari (tratar mal, portar-se mal), CUNHA, A.G. – Dicionário etimológico. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1982, p. 182. O trecho acima citado foi retirado do posfácio do livro de OLSEN, Oldemar Jr. Estranhos no paraíso . Florianópolis: UFSC, 2000, p. 296.
53 VASQUES, Marcos. Diálogos com a literatura , pp. 149-150.
54 OLSEN, Oldemar Jr. Confissões de um cínico. Joinville: Nova Letra, 2002.
55 Fragmento retirado do posfácio do livro OLSEN, Oldemar Jr. Confissões de um cínico. Joinville: Nova Letra, 2002, p. 240.
56 LEMOS, David; RISTOFF, Dilvo I. Um dedo de prosa: primeira antologia. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2004. v. 1, p.262.

 
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